Agricultora percorre 10 km por dia com os netos para conseguir água no interior de Alagoas: ‘Ou faz ou passa sede’

Antônia Leite da Silva vive com a família de 12 pessoas no município de Carneiros. Alagoas é o estado do Nordeste mais atingido pela desertificação, o que corresponde a 32,8%. Quase 40 cidades decretaram estado de emergência por causa da crise hídrica. Agricultora percorre 10 km por dia com os netos para conseguir água no interior de Alagoas
Alagoas é o estado mais atingido pela desertificação, o que corresponde a 32,8%. Quase 40 cidades decretaram estado de emergência por causa da crise hídrica. No município de Carneiros, os moradores da área rural são os que mais sofrem com a falta de água.
A agricultora Antônia Leite da Silva é uma das pessoas que dependem da chegada de um caminhão-pipa para abastecer a cisterna mais próxima à sua casa. Ter água todo dia é uma missão. Com os netos, ela chega a percorrer 10 quilômetros sob o sol quente em uma charrete puxada por um burro para providenciar água. Com o que consegue carregar, ela garante as principais necessidades da rotina da casa em que moram 12 pessoas.
“O que sobra a gente guarda para o outro dia. Tem vezes que a água vem boa para beber, mas não é sempre. Tem noite que eu me deito e começo a pensar em cima da cama. Mas é assim mesmo, foi essa sina que Deus me deu”, conta.
A agricultora Antônia Leite da Silva percorre com os netos, todos os dias, 10 quilômetros para conseguir água
Profissão Repórter
E as viagens em busca de água, por vezes, acontecem mais de uma vez por dia.
“Quando é só para beber e tomar banho, a gente sai duas vezes. Quando é para lavar roupa, são três, quatro vezes. Todo dia. Ou faz ou passa sede. Eu não sei até quando vou aguentar a carregar água, é Deus quem sabe.”
O Profissão Repórter desta terça-feira (12) mostrou a rotina de pessoas que vivem nestas regiões diretamente impactadas pela falta de água e pela desertificação.
Mesmo com tanta dificuldade para o abastecimento, Antônia sonha com água potável e acessível em casa. “Seria outra coisa. Eu acho que teria mais sossego e não teria essa necessidade de tanto andar. Eu ando muito, no sol quente, caçando água. Mas, se tivesse água, seria muito bom. Se você tem água, você tem tudo dentro de casa. Se você não tem, é muita luta”, diz.
Mesmo com tanta dificuldade para o abastecimento, Antônia sonha com água potável e acessível em casa
Profissão Repórter
Com uma renda que não chega a R$ 300 por mês, Antônia tenta fazer com que não falte, além de água, o básico: comida.
“Às vezes você tem até a comida, mas não cozinha porque não tem água. Daí, a gente procura alguma coisa para dar para aos meninos”, conta.
Do pouco de terra que ainda produz, a família de Antônia consegue colher feijão e milho. “Cada ano que vai passando, a terra vai ficando mais fraca. Você planta e tira quase nada. O que dá, é melhor do que nada. Enquanto Deus não manda para a gente, a gente vai plantando. A terra vai cansar e não vai dar mais nada. Do jeito que a gente cansa na vida, chega um momento que as coisas também cansam.”
Assista à reportagem completa abaixo:

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