Caso Kiss: ‘É inacreditável’, diz familiar de vítima do incêndio após Justiça anular o júri

Desembargadores julgaram recursos das defesas dos quatro condenados no processo, nesta quarta-feira (3). Júri foi anulado e réus devem ser soltos a qualquer momento. Faixa com fotos das vítimas do incêndio da Boate Kiss em frente ao TJ em Porto Alegre
Tiago Guedes/RBS TV
Os familiares das vítimas do incêndio da Boate Kiss lamentaram a decisão desta quarta-feira (3) da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), em Porto Alegre, que acolheu parte dos recursos das defesas e anulou o júri que condenou os quatro réus do caso, ocorrido em dezembro do ano passado. Eles serão soltos e um novo júri deve ser marcado. Cabe recurso da decisão.
Caso Kiss: Justiça anula júri que condenou quatro réus por incêndio em boate
“Os quatro têm responsabilidade, houve um julgamento, tivemos toda essa função, a gente vêm de Santa Maria e o que a gente recebe? Não tem o que dizer, é inacreditável o que está acontecendo”, afirma Ligiane Rige da Silva, que perdeu a filha Andrielle no incêndio.
Trinta e cinco familiares e sobreviventes da tragédia, que vitimou 242 pessoas em 2013, em Santa Maria, acompanharam o julgamento. Em dezembro do ano passado, Elissandro Spohr, Mauro Hoffmann, Marcelo de Jesus e Luciano Bonilha haviam sido condenados pelo incêndio.
Pai de uma das vítimas, Flavio Silva diz que pretende seguir com a luta por justiça. “A gente vai entrar com recurso no Superior Tribunal de Justiça e tenho a convicção que a gente vai reverter isso mais uma vez”, afirma.
O presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Gabriel Rovadoschi Barros afirmou que o sentimento é de desumanização.
“Eu quero declarar que nós nos sentimos extremamente desumanizados pelo resultado, a nossa humanidade foi profundamente ferida pela decisão e aqui eu não falo pela decisão pelo mérito do julgamento, pelos critérios que foram tomados, eu falo de um sentimento nosso de desumanização porque enquanto os condenados gozam de vida nesses anos que se passaram, todos nós tivemos que lidar com a vida sem um fechamento de sentido pra isso.”
Familiares de vítimas da Boate Kiss lamentam a decisão da Justiça de anular o júri
A decisão
O julgamento no TJ-RS terminou com o placar de dois votos a um para reconhecer a anulação do júri. Enquanto o relator, desembargador Manuel José Martinez Lucas, afastou as teses das defesas, os desembargadores José Conrado Kurtz de Souza e Jayme Weingartner Neto reconheceram alguns dos argumentos dos réus.
Em dezembro de 2021, os quatro réus foram sentenciados a cumprir entre 18 e 22 anos de prisão e, após decisão do Supremo Tribunal Federal que derrubou um habeas corpus concedido pelos desembargadores do Tribunal do Justiça do RS, eles permaneceram presos.
Os advogados dos quatro presos alegavam nulidades no processo e no júri realizado entre os dias 1º e 10 de dezembro de 2021 no Foro Central. Já o Ministério Público do estado (MP-RS) apresentou as contrarrazões, nas quais reforçava a lisura do julgamento, respeitando o devido processo legal.
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