Cidades buscam na própria natureza maneiras de combater alagamentos

Especialistas contam que solução não precisa de grandes obras de engenharia. Espaços com muita arborização acomodam água da chuva e impedem enchentes. Grande centros urbanos estão buscando, na própria natureza, maneiras de combater os alagamentos
Grandes centros urbanos estão buscando, na própria natureza, maneiras de combater os alagamentos.
Na imensidão de concreto, a água da chuva busca caminhos para escoar. Nas últimas três décadas, a área urbanizada dobrou no país. Hoje, são mais 4 milhões de hectares com casas, prédios, ruas, indústrias e poucas saídas para drenar grandes volumes de chuva.
“Áreas úmidas que acomodavam água da chuva foram aterradas para poder construir. A área de infiltração desapareceu”, diz a pesquisadora da PUC-Rio, Cecília Herzog.
Especialistas dizem que nem sempre é preciso grandes obras de engenharia para reduzir os alagamentos. Uma das maneiras de resolver o problema seria trazer a natureza de volta para as cidades.
“Na medida em que a gente volta com esses espaços que vão acomodar as águas da chuva, muita arborização, com muita vegetação. A água em vez de bater e escoar, ela vai infiltrar e ela vai ficar retida dependendo do sistema que pode ser montado”, explica Cecília Herzog.
É o que acontece nos jardins de chuva, como um em Anápolis, Goiás. A área verde foi construída no meio da cidade para conter a água.
“Esse sistema que fez o jardim ficou melhor, o escoamento ficou melhor”, conta um morador.
“Dava muito alagamento aqui, agora parou bastante. Melhorou uns 80%”, afirma outro morador.
Em Curitiba, oito parques foram construídos ao longo do rio que cruza a cidade. Eles são feitos para alagar. No maior deles, o Parque Barigui, em dias de chuva forte, fica um escape para a água que poderia causar estragos nos bairros da capital.
O nível do lago chega a subir 1 metro e todo o terreno pode ficar submerso.
Depois que o nível da água vai baixando, o solo do parque fica encharcado. Em um ponto, a gente vai pisando e vai sentindo. É a água voltando para o seu ciclo natural. É o que os pesquisadores chamam de cidade esponja.
“A ideia de você criar solos permeáveis, permitir a construção, o desenvolvimento das cidades, mas com taxas de permeabilidade. Para exatamente o solo absorver a grande velocidade das chuvas. Deixar o solo ter sua função natural”, afirma o arquiteto Mauro Magnabosco.
As ações baseadas na natureza também podem ser feitas por moradores. João é dono de um jardim que foi construído nas alturas. Quando chove, o solo retém a água, e o escoamento para a galeria pluvial é mais lento, podendo levar até três horas.
“Você olhando por cima você percebe a quantidade de terraços, de espaços que poderíamos transformar em verde, a gente poderia certamente reduzir e muito o impacto de grandes chuvas nos centros urbanos”, diz o empresário João Paulo Mehl.
“É urgente, é um processo que deve ser acelerado para que a gente tenha condições de ter futuro. E a natureza toma o rumo dela rapidinho, é só abrir espaço”, relata Cecília.

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