Conselho de Ética da Prefeitura de BH arquiva processo contra secretário de Governo

Adalclever Lopes foi denunciado pelo ex-chefe de gabinete, Alberto Lage. Alberto Lage, em depoimento à CPI da BHTrans, na última quinta-feira (26)
Bernardo Dias/CMBH
O Conselho de Ética da Prefeitura de Belo Horizonte decidiu arquivar o processo de investigação contra o secretário de Governo, Adalclever Lopes. Segundo o ex-chefe de gabinete, Alberto Lage, o secretário teria feito pressão sobre uma agência de publicidade para fazer pesquisa com intenções de voto de Alexandre Kalil (PSD) ao governo de Minas.
O arquivamento ocorreu em reunião ocorrida na última sexta-feira (8), mas só foi informado nesta quarta-feira (13). O ex-chefe de gabinete e o secretário de Governo foram ouvidos na última quinta-feira (7).
Ex-chefe de gabinete e secretário de Governo são ouvidos pelo Conselho de Ética da prefeitura de Belo Horizonte
‘Se quiser pesquisa, peço pro meu partido’, diz Kalil após denúncia de que empresa foi constrangida a pagar pelo serviço
A denúncia do ex-chefe de gabinete contra o atual secretário de Governo foi formalizada na quarta-feira (5).
Ele utilizou da conta de e-mail que ainda tinha na prefeitura para enviar uma mensagem ao controlador-Geral, Leonardo Ferraz. O ex-chefe de gabinete anexou um áudio em que Adalclever cita tentativa de constranger Carlos Eduardo Porto Moreno, proprietário da agência Perfil 252 a contratar e pagar pesquisa de intenção de votos em âmbito estadual.
Na ata da reunião com a decisão, o relator Marcelo Leonardo menciona que a redação de Alberto Lage já indicava insegurança com seu conteúdo, ao utilizar expressões como “ato possivelmente ilícito”, “passou a impressão de que buscava constranger”, “ao suspeitar da possibilidade da ilicitude”.
O relator também mencionou que Alberto Lage se recusou a assumir o compromisso de dizer a verdade, por orientação do advogado.
O documento também cita que tanto o publicitário Carlos Eduardo Moreno, proprietário da Agência Perfil 252, negou ter sido constrangido, de qualquer forma pelo secretário Adalclever Lopes, que também disse que não fez pressão para que o prestador de serviço pagasse por pesquisa de intenções de voto.
Mais denúncias
Diálogo enviado ao Conselho de Ética por Alberto Lage nesta quarta-feira (13)
Reprodução
O ex-chefe de gabinete Alberto Lage encaminhou outro e-email ao Conselho de Ética nesta quarta-feira (13), com novas provas de que a pesquisa foi realizada.
Lage encaminhou uma cópia de mensagem de Carlos Eduardo Moreno, enviada em 20 de março, que dizia: “Bom dia, Alberto e Vitor. A pesquisa que contratei ficou pronta. Como quer fazer para a gente tentar marcar uma apresentação para o Prefeito? Combinei com o Adalclever para fazermos uma vídeo na segunda para pontuarmos algumas leituras que já fiz. E só vcs marcarem.”
Logo após a mensagem, foi enviado um arquivo, com a logo da MDA Pesquisas, empresa que Adalclever Lopes, segundo Alberto Lage, teria sugerido para ser contratada.
Ao G1, Carlos Eduardo Moreno reforçou que não recebeu nenhuma solicitação de Pesquisa Estadual. E que a pesquisa realizada pela empresa foi de “caráter absolutamente particular, para subsidiar participação nas Concorrências da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e do Sebrae-MG, às suas próprias expensas.
Perguntado por que não apresentou este diálogo durante a oitiva na semana passada, Lage explicou que está fora do Brasil e que precisou que alguém fosse até sua residência e buscasse o celular antigo, onde estava o diálogo.
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