Delegada Adriana Belém blindou carro do filho antes de ser presa por suspeita de ligação com jogo do bicho

Adriana Belém comprou um Jeep Compass, avaliado em quase R$ 200 mil, para o filho de 18 anos, que recebeu o carro já com a proteção na última segunda-feira (9). Durante a Operação Calígula, agentes apreenderam na casa da delegada quase R$ 2 milhões em dinheiro. Delegada é presa após apreensão de dinheiro
Presa por suspeita de participar do esquema comandado pelo bicheiro Rogério de Andrade e pelo PM reformado Ronnie Lessa, a delegada Adriana Belém mandou blindar o carro que comprou para o filho um dia antes de virar alvo da Operação Calígula.
Com o objetivo de combater envolvidos em uma rede de jogos de azar, a força tarefa do Ministério Público (MP) foi deflagrada na manhã desta terça-feira (10) e cumpriu, no total, 29 mandados de prisão e 119 mandados de busca e apreensão.
Durante a ação, os agentes apreenderam quase R$ 2 milhões em dinheiro no apartamento da delegada Adriana Belém, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
Presente blindado de R$ 200 mil
Em fevereiro deste ano, Belém comprou um Jeep Compass, avaliado em quase R$ 200 mil, para dar de presente para o filho que completou 18 anos. Na última segunda-feira (9), a delegada recebeu o veículo que mandou blindar.
Adriana Belém deu recentemente um Jeep zero para o filho
Reprodução
Segundo a Polícia Civil, Adriana Belém não têm cargos na corporação atualmente.
Contudo, a delegada foi nomeada mês passado para um cargo na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro. De acordo com o portal da transparência, o salário dela é de R$ 8.345,14. Segundo a prefeitura, ela será exonerada nesta terça (10).
A preocupação da delegada em blindar o carro do filho se justifica, visto que ela é suspeita de envolvimento em uma rede de jogos de azar explorada pelo bicheiro Rogério de Andrade e pelo PM reformado Ronnie Lessa — réu pela morte da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.
Rogério de Andrade é um dos herdeiros do bicheiro Castor de Andrade e por conta disso sempre esteve envolvido na disputa pelos pontos do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Mais de 20 anos após a morte de Castor de Andrade, a guerra do jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis já provocou a morte de dezenas de pessoas.
Operação Calígula
Até a última atualização desta reportagem, 11 pessoas haviam sido presas durante a Operação Calígula, força-tarefa deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta terça-feira (10).
Operação do MP mira esquema de casas de apostas do contraventor Rogério de Andrade e Ronnie Lessa, réu pela morte de Marielle
Segundo as investigações do MPRJ, Rogério de Andrade e Ronnie Lessa abriram casas de apostas e bingos em diversos estados pelo menos desde 2018.
O MPRJ afirma que a quadrilha “estabeleceu acertos de corrupção estáveis com agentes públicos, principalmente ligados à segurança pública, incluindo tanto agentes da Polícia Civil, quanto da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro”.
“Nesta esfera, integrantes da quadrilha, membros da Polícia Civil, mantinham contatos permanentes com outros policiais corruptos, pactuando o pagamento de propinas em contrapartida ao favorecimento dos interesses do grupo de Rogério”, destacam os promotores.
“Oficiais da PM serviam de elo entre o grupo e batalhões de polícia, que recebiam valores mensais para permitir o livre funcionamento das casas de aposta do grupo.”
Operação Calígula apreende quase R$ 2 milhões em apartamento na Barra da Tijuca
Em um destes episódios, o delegado Marcos Cipriano intermediou encontro entre Ronnie Lessa, Adriana Belém, então titular da 16ª DP (Barra), e o inspetor Jorge Luiz Camillo Alves, braço direito de Adriana.
Na reunião, segundo o MPRJ, acertaram a retirada em caminhões de quase 80 máquinas caça-níquel apreendidas em uma casa de apostas, mediante propina paga por Rogério.
Os promotores sustentam que para viabilizar o “nefasto plano criminoso”, foram imprescindíveis a participação de Adriana Belém e Jorge Luiz.
Relação antiga
“A parceria entre Rogério e Ronnie para a prática de ações criminosas é apontada nas denúncias como antiga”, afirma o MPRJ. “Há elementos de prova de sua existência ao menos desde 2009, quando Ronnie, indicado como um dos seguranças de Rogério, perdeu uma perna em atentado a bomba”, descrevem os promotores.
“Em 2018, ano da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, os dois denunciados se reaproximaram e abriram uma casa de apostas no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, havendo elementos indicando a previsão de inauguração de outras casas na Zona Oeste.”
Alvos Operação Calígula (Rogério de Andrade, Adriana Belém, Ronnie Lessa e Marcos Cipriano)
Reprodução
Segundo narram as denúncias oferecidas pelo MPRJ, Rogério e o filho, Gustavo, comandam uma estrutura criminosa organizada, voltada à exploração de jogos de azar não apenas no Rio de Janeiro, mas em diversos outros estados.
O domínio das localidades se baseia “na habitual e permanente corrupção de agentes públicos” e “no emprego de violência contra concorrentes e desafetos”. O MPRJ afirma que a quadrilha é “suspeita da prática de inúmeros homicídios”.

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