Golpe da gasolina: Procon decide autuar mais dois postos de combustíveis de Porto Alegre

Reportagem do Fantástico revelou que rede de Fabrício Corrêa Barros, na Região Metropolitana, enganava motoristas para vender produtos superfaturados e serviços desnecessários. Três postos já haviam sido autuados pelo órgão. Defesa diz que vai se manifestar após ter acesso a todos os elementos da investigação. Procon autua três postos por golpe do aditivo em Porto Alegre
O Procon decidiu autuar mais dois postos de combustíveis de um empresário suspeito de aplicar o “golpe do aditivo”. O esquema foi revelado pelo Fantástico no domingo (19) e mostrou como redes de postos de Fabrício Corrêa Barros ofereciam serviços desnecessários ou superfaturados para enganar clientes.
Procurado pela reportagem da RBS TV, o empresário falou que o caso está sendo tratado pelo seu advogado, que vai se manifestar após ter acesso a todos os elementos da investigação.
Já a Ipiranga informou que “repudia e não compactua com os fatos relatados na reportagem” e que o caso está sendo avaliado internamente por um Comitê de Compliance e Ética para que sejam tomadas as medidas cabíveis.
“Vale reforçar que a operação dos postos é realizada por meio de revendedores, pessoas jurídicas independentes. A empresa esclarece ainda que preza pela integridade e respeita os direitos e a legislação vigente. Além disso, a Ipiranga promove, periodicamente, em toda sua rede de revendedores, ações de treinamento, bem como incentivos à adoção de boas práticas nos negócios e de atendimento aos consumidores, que incluem capacitação anticorrupção e de integridade”, manifestou-se em nota. (Leia na íntegra ao fim da reportagem)
Carro passando por manutenção em posto de gasolina no RS
Reprodução/RBS TV
Outros três postos da rede pertencente a Fabrício foram multado pelo Procon em R$ 10 mil cada por não responderem às notificações do órgão de defesa do consumidor. O valor pode chegar, contudo, a R$ 14 milhões ao fim da investigação.
“Nós temos duas fases: a primeira, uma investigação preliminar, na qual a gente usa o poder coercitivo que o Procon tem para tentar conciliar e resolver o problema do consumidor; e uma segunda fase, que é o processo administrativo propriamente dito, onde o fornecedor poderá ser punido, claro, com seu direito de defesa”, explica o diretor do Procon de Porto Alegre, Wambert di Lorenzo.
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Uma enfermeira, que não quis ter a identidade revelada, diz que foi a um estabelecimento na Avenida Edgar Pires de Castro, na Zona Sul de Porto Alegre, apenas para trocar o óleo. Com o filtro, custou R$ 250. Porém, ao fim do atendimento, recebeu notas com o valor total de R$ 2,2 mil.
“Nunca imaginei que seria um serviço absurdo, uma cobrança indevida”, reclama.
Na ordem de serviço, constavam condicionador de metais, desengripante e outros produtos que não foram solicitados. A conta foi parcelada em 10 vezes no cartão de crédito. Por curiosidade, a enfermeira pesquisou no mercado os preços cobrados pelo posto.
“Eu fiz o mesmo orçamento em um outro serviço, e o valor, para os mesmos produtos, a mesma quantidade, sairia por R$ 798 o total do serviço. Foi cobrado três vezes acima do valor”, lamenta.
Diante as reportagens da RBS TV, a enfermeira concluiu que se trataria do mesmo esquema.
“Quando começaram as reportagens, eu disse: ‘Não, sou mais uma vítima desse golpe’. E fiz a abertura da chamada no Procon de Porto Alegre”, afirma.
Outros postos autuados
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Um dos postos autuados fica na esquina das avenidas Oscar Pereira e Aparício Borges. É o mesmo mostrado pela reportagem do Fantástico, na qual um militar aposentado teve que arcar com uma despesa de R$ 1,4 mil no cartão. (Reveja acima)
O outro posto notificado pelo Procon fica na Estrada da Serraria, também na Zona Sul da Capital. Ainda foi autuado um posto na Avenida Sertório, na Zona Norte, onde a jornalista Civa Silveira diz ter sido enganada em 2018.
Além de comissões, ex-frentistas da rede de Fabrício dizem que as cobranças por metas são rigorosas. Em uma mensagem de áudio, o empresário condicionava as folgas ao faturamento de cada posto.
“Nós temos até sábado pra fechar a meta, hein? Não se esqueça. Em último caso, no caso de não bater a meta, nós vamos trabalhar domingo. Todo mundo”, teria dito. “A cobrança só vai aumentar. Quem não tá preparado pra cobrança, pode sair. A empresa agradece.”
A reportagem da RBS TV teve acesso a uma centena de notas fiscais emitidas pelo posto, que chegam a R$ 5 mil. Por telefone, um desses clientes, que teve um débito de R$ 3,5 mil no cartão.
“No dia que eu cheguei lá para abastecer o carro começou a enfumaçar. O cara disse: ‘Olha, tenho uma limpeza para fazer para ti’, e me cobrou esse valor aí mesmo”, conta.
Mas a fumaça era um artifício, segundo um ex-frentista que trabalhou na rede de postos de combustíveis. “Usavam a seringa com óleo. Sai a fumaça, né?”, assegura.
Polícia investiga suposto esquema
A Polícia Civil recebeu denúncias e investiga os crimes relacionados ao caso. Segundo o delegado Joel Wagner, além dos cinco postos de Porto Alegre, também um de Cachoeirinha foi notificado com esses mesmos problemas.
“É um estelionato clássico, não é? Praticado por toda uma rede que vai desde o frentista lá na ponta que abastece, que oferece o serviço, passando por gerentes e proprietários”, diz.
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O aposentado José Silva foi a um posto para abastecer R$ 50 de combustível. Alegando uma suposta fumaça que estaria saindo do motor, um funcionário pediu para abrir o capô e o convenceu a trocar o óleo.
A filha de José, então, decidiu levar o pai à delegacia do consumidor. Lá, Josiane descobriu mais sete ocorrências registradas de outros postos que pertencem ao mesmo empresário.
NOTA DA IPIRANGA
A Ipiranga repudia e não compactua com os fatos relatados na reportagem. O caso está sendo avaliado internamente por um Comitê de Compliance e Ética para que sejam tomadas as medidas cabíveis. Vale reforçar que a operação dos postos é realizada por meio de revendedores, pessoas jurídicas independentes.
A empresa esclarece ainda que preza pela integridade e respeita os direitos e a legislação vigente. Além disso, a Ipiranga promove, periodicamente, em toda sua rede de revendedores, ações de treinamento, bem como incentivos à adoção de boas práticas nos negócios e de atendimento aos consumidores, que incluem capacitação anticorrupção e de integridade. A Ipiranga ainda fica à disposição dos consumidores pelos canais de atendimento nos telefones 3003-3451 (Capitais e Regiões Metropolitanas) e 0800 720 5356 (Demais Regiões), além do acesso pelo site da empresa.
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