Instituições unem forças para garantir preservação de quelônios em Juruti Velho

O trabalho conta com o apoio da Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho (Acorjuve), Semma e Polícia Militar. A coleta dos ovos de quelônios nos tabuleiros é feita diariamente entre 05h30 e 06h30 da manhã
Acojurve/Divulgação
A comunidade Santa Maria do Murituba uma das muitas da região de Juruti Velho, no município de Juruti (PA), que desenvolvem um projeto de preservação de quelônios, já traçou o planejamento para as ações deste ano. O trabalho é feito em parceria com o Projeto Pé-de-Pincha, Semma – Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Juruti e Acorjuve – Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho, e Polícia Militar.
Por meio de um Acordo de Pesca que vigora desde 1996, a captura e a coleta dos ovos do Tracajá para consumo e comercialização, bem com a pesca do Pirarucu, ficam proibidas na comunidade no período de 30 de setembro a 01 de março – época da reprodução das espécies.
Para garantir o cumprimento do acordo, a comunidade conta com o trabalho voluntário de dois fiscais ambientais, seu Amâncio Xavier Pereira e Cristiano Monteiro Farias.
Preservação de quelônios
Há 21 anos, a comunidade Santa Maria do Murituba desenvolve as ações do projeto de preservação de quelônios. Neste ano de 2021, a equipe é composta por 10 integrantes (8 homens e 2 mulheres) que acordam cedo todos os dias para desenvolver as atividades. O trabalho é todo voluntário.
Após a coleta, os ovos são levados para a chocadeira instalada na própria comunidade
Acojurve/Divulgação
A coleta dos ovos é feita diariamente entre 05h30 e 06h30 da manhã em seis tabuleiros em pontos estratégicos da comunidade: Ponta Fina, Praia do Jair, Praia da Guarda, Fazenda São João, Samaúma e Praia do Evandro. Para o cumprimento desta etapa, a equipe conta com o apoio de duas pequenas embarcações.
Realizada a coleta com todo cuidado para evitar o desperdício, os ovos são levados para a chocadeira instalada na própria comunidade, com capacidade para 10 mil ovos. Lá, eles permanecem por cerca de 56 dias, quando os filhotes começam a nascer.
Após o nascimento, os filhotes são colocados em um berçário, recebem a alimentação adequada, permanecendo no local por um período que pode variar entre 3 e 5 meses. Após esse período, os quelônios são soltos no lago da comunidade, durante uma programação especial que reúne os moradores e autoridades.
Pirarucu
O Acordo de Pesca da comunidade Santa Maria do Murituba também garante a preservação do Pirarucu. No lago Samaúma, considerado um berçário natural da espécie, a captura do peixe é proibida no período de 30 de novembro a 01 de março.
Os infratores recebem, inicialmente, orientações educativas e caso sejam pegos novamente cometendo a mesma infração, são encaminhados para os órgãos competentes para que sejam aplicadas as penas conforme à lei.
Apoio
A Associação das Comunidades da Região de Juruti Velho dá o apoio necessário para que as atividades de proteção do meio ambiente possam ser desenvolvidas. Integrantes da associação também acompanham as fiscalizações feitas regularmente com o apoio da Polícia Militar.
“Para muitas comunidades a nossa associação doou rabetas, caixas de isopor para a coleta dos ovos dos quelônios, contribuímos com o combustível, e equipamentos, como lanternas, botas etc. Vamos apresentar um projeto a nossa diretoria para construir berçários nas comunidades que desenvolvem o projeto de preservação de quelônios”, destacou o diretor de Meio Ambiente da Acorjuve, Evandro Marques.
Às margens do lago Juruti Velho, no porto da sede da Acorjuve foi construída uma chocadeira natural, onde são depositados ovos provenientes de várias comunidades da região.

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