Ministério da Saúde anuncia novas recomendações sobre a varíola dos macacos

Grávidas, mulheres que acabaram de dar à luz e as que estão amamentando terão prioridade nas filas de teste para o diagnóstico da doença. Em rede de laboratórios de São Paulo, de cada dez exames, seis são positivos. Ministério da Saúde anuncia novas recomendações sobre a varíola dos macacos
O Ministério da Saúde atualizou o número de casos confirmados da varíola dos macacos no Brasil: são 1.369, a maioria em São Paulo.
Uma nota técnica trouxe novas recomendações para profissionais de saúde e também para as grávidas, as mulheres que acabaram de dar à luz e as que estão amamentando. Nas filas de teste para o diagnóstico da doença, elas vão ter prioridade. E todas têm recomendação para usar máscaras e só manterem relações sexuais com parceiros que usem camisinha.
Segundo o ministério, grávidas não podem tomar a vacina contra a varíola dos macacos por falta de dados suficientes. Na sexta-feira passada (29/07), o governo anunciou a compra de 50 mil doses que devem chegar no mês que vem.
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Nesta segunda (1º), o Ministério da Saúde afirmou também que os doentes com casos mais graves da varíola vão receber o antiviral Tecovirimat, mas não informou quando isso vai acontecer.
6 em cada 10 são positivos
Em uma das maiores redes de laboratórios privados de São Paulo, a taxa de testes positivos para varíola dos macacos vem aumentando muito nas últimas semanas.
É em uma área isolada que as amostras são analisadas para identificar o vírus. Em uma grande rede, de cada dez testes feitos para detectar varíola dos macacos, seis são positivos.
“Agora a gente está testando aquelas pessoas que têm maior exposição, então fica uma positividade muito alta, são casos muito bem selecionados”, afirma o diretor clínico do Grupo Fleury, Celso Granato.
A entidade que representa 12 mil laboratórios particulares do país diz que eles estão mais preparados para divulgar diagnósticos por causa da experiência com os exames de coronavírus.
“Durante o processo da Covid, os laboratórios de médio e pequeno porte começaram a fazer outros exames de genética de microrganismos, razão pela qual agora eles podem ajudar aos pacientes independentemente do local onde ele esteja no Brasil”, explica a presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, Maria Elizabeth Menezes.
Em São Paulo, que concentra a maior parte dos registros da doença, a rede pública também vem testando aqueles que se enquadram nos critérios de casos suspeitos. O material é enviado para o Instituto Adolfo Lutz. São pessoas que chegam aos postos de saúde com sintomas que, em geral, incluem dores, febre, gânglios inchados e, principalmente, feridas pelo corpo.
O profissional da saúde usa uma espécie de haste para coletar a secreção que sai das lesões ou parte da casquinha que se forma na pele. Se o exame der positivo, o paciente recebe um atestado de 21 dias para se isolar.
Além do Adolfo Lutz, outros três laboratórios públicos estão sendo usados como referência para o diagnóstico. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde diz que os serviços de saúde no Brasil afora precisam reconhecer melhor os casos da doença, que pode estar subnotificada.
“Temos, concomitante, poucos laboratórios públicos realizando os testes, uma percepção por parte da conduta clínica dos profissionais de saúde ainda reduzida, ainda pouca suspeita diagnóstica. Nós temos grandes municípios no país, grandes estados no país, que até o presente momento enviaram poucas amostras. Isso, sem dúvida nenhuma, caracteriza um cenário de silêncio epidemiológico muito grande em todo o país”, comenta Nésio Fernandes, presidente do Conass.
O infectologista Esper Kallás, infectologista da Faculdade de Medicina da USP, lembra que o período de incubação da varíola dos macacos pode levar até quatro semanas, e que é preciso isolar os casos e rastrear os contatos. Para isso, é fundamental ampliar o acesso aos testes.
“Quanto mais rápido a gente puder proporcionar o diagnóstico para as pessoas e assim elas diminuírem a chance de transmitir o vírus, maior é a chance também de a gente postergar o aumento do número de casos. Isso faz com que a gente ganhe um tempo precioso até a chegada de vacinas para conter a cadeia de transmissão e remédios para tratar essa doença”, explica Kallás.

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