Morador lamenta desocupação da comunidade ‘Dubai’ em João Pessoa: ‘Destruíram nossos sonhos’

Desocupação teve início na madrugada desta terça-feira (23), após decisão judicial. Mais de 400 famílias moravam no local, que pertence ao município, segundo Polícia Militar. Desocupação na comunidade Dubai em João Pessoa
Polícia Militar/Divulgação
Um morador da comunidade Dubai I, em João Pessoa, lamentou a desocupação da área, realizada nesta terça-feira (23). “Destruíram nossos sonhos”, disse o homem, que ficou sem casa para morar com a família.
O morador que conversou com a equipe do g1 pediu para não ser identificado por medo de sofrer represálias. Ele contou que mora na comunidade há cerca de um ano, quando conseguiu a doação de um terreno. Antes, pagava aluguel.
No local, ele construiu um pequeno barraco com paredes de tábuas e coberto com lona. No casebre, ele morava como a esposa e mais três filhos, sendo a mais nova, uma menina de seis meses de vida. O filho mais velho do casal completa nesta terça, dia da desocupação, seis anos de idade.
O morador disse que não tem emprego fixo e sustenta a família com a atividade de reciclagem. No momento, ele disse que a solução encontrada foi procurar parentes em busca de abrigo e “começar do zero”.
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O homem contou, ainda, que a abordagem aos moradores começou na madrugada quando os policiais disseram que a operação se tratava da reintegração de posse da área. Ao conversar com um dos líderes da ação, conseguiu tirar pertences pequenos como as roupas das crianças e comida. Os móveis e eletrodomésticos ficaram no barraco.
A companheira permaneceu na comunidade para fazer um cadastro da prefeitura, que promete acolher as mais de 400 famílias que vivem no espaço.
Como acontece a desocupação da comunidade ‘Dubai’
A comunidade Dubai I, localizada na zona sul de João Pessoa, começou a ser desocupada na madrugada desta terça-feira (23). As construções erguidas no local serão demolidas. A operação, realizada pela Polícia Militar e o Ministério Público, atende a uma decisão judicial.
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Polícia Militar/Divulgação
O local fica em uma área de preservação ambiental, com 15 hectares da mata atlântica remanescente do país. Segundo a PM, para construir moradias irregulares, as pessoas devastaram grande parte da mata, com a derrubada de árvores e queimadas, cometendo assim crime ambiental e extinguindo diversas espécies da flora e fauna.
Além do crime ambiental, foi constatado que a área estaria sendo dominada por integrantes de uma facção ligada ao tráfico de drogas. O chefe do grupo, conhecido como “Sheik”, foi preso com arma e drogas no início do mês.
De acordo com a PM, mais de 400 famílias ocupam irregularmente a área. Pelo menos 600 policiais militares participam da ação, além de profissionais de outros órgãos.
Os policiais militares vão cumprir a decisão, auxiliando os moradores a deixarem o local. Em seguida, a prefeitura vai fazer o registro de pertences dos moradores e o setor social vai atender as famílias.
Após a desocupação, a área deve ser cercada, para inibir novas ocupações, com o objetivo de resgatar o que sobrou do meio ambiente local.
Armas e drogas que possam ser apreendidas na operação, serão levadas para a Central de Polícia Civil.
Ministério Público acompanha a operação
O Ministério Público da Paraíba acompanha a operação de desocupação na comunidade Dubai I para garantir que a ação policial seja executada de forma legal e que o Município de João Pessoa, que é dono do terreno, cumpra todas as obrigações relacionadas ao cadastro e amparo das famílias que, estejam no local por necessidade de moradia.
O procurador-geral de Justiça, Antônio Hortêncio Rocha Neto, explicou que o papel do MP foi de articulador das ações. De acordo com ele, a situação é grave e exige ações complexas que passam pela reintegração de posse, alojamento e atendimento das famílias, além de providências para que o local não seja mais alvo de ocupação e que seja elaborado e executado um plano de reflorestamento.
Antônio Hortêncio entendeu que a medida de reintegração pedida pela Prefeitura de João Pessoa é necessária mesmo durante uma pandemia, como uma medida extrema de contenção de crimes. Mas, por outro lado, é preciso ter a visão dos problemas sociais que estão atrelados à ocupação e garantir que as famílias sejam assistidas pelo poder público.
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