Muitos brasileiros desconhecem redução do intervalo entre doses da Pfizer e AstraZeneca

Cerca de 15 milhões de brasileiros estão atrasados para a segunda dose da Pfizer e da AstraZeneca. O intervalo desses imunizantes mudou de três meses para dois meses e, em alguns estados, para três semana, no caso da Pfizer. Milhões de brasileiros não sabem que podem tomar a segunda dose da vacina contra a Covid
Entre os milhões de brasileiros que ainda precisam tomar a segunda dose das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca, muitos ainda não se deram conta de que o intervalo entre as aplicações diminuiu.
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A auxiliar de cozinha Izabeli Bianca Monteiro não estava tentando tirar uma selfie da vacina: estava fazendo uma live. É para a mãe dela, Betânia Monteiro, que mora em Belém, no Pará, e estava fazendo pressão para a filha não demorar a tomar a segunda dose.
Repórter: Está mais tranquila agora?
Betânia: Com certeza, tranquilíssima! Que venha a terceira dose!
Foram mais de três meses até Izabeli voltar ao posto de saúde por causa das escalas de trabalho, e ela nem sabia que poderia ter ido bem antes.
“Não sabia. Falta de comunicação mesmo”, diz.
Quando começou a vacinação da Pfizer e da AstraZeneca, o intervalo entre as duas doses era de 12 semanas – ou três meses. Em setembro, o intervalo da Pfizer passou para oito semanas, que são dois meses. Em outubro, a mesma redução foi feita no intervalo da AstraZeneca.
E alguns estados, como São Paulo e Minas, adotaram um intervalo ainda mais curto para a segunda dose da Pfizer: 21 dias – ou três semanas.
O Ministério da Saúde calcula que, só dessas duas vacinas, 15 milhões de pessoas estão com a segunda dose atrasada: 9 milhões que tomaram a AstraZeneca e 6 milhões, a Pfizer.
Os especialistas acreditam que a maior parte dessas pessoas nem sabe que está atrasada: elas não foram informadas que a data na carteirinha pode não estar valendo.
Repórter: Se você soubesse que dava para ter vindo antes, você certamente viria ou não, você manteria essa data mesmo?
Lucas Sinachi da Silva, técnico em elevadores: Eu acho que sim, eu acho que sim. Porque é uma coisa que o quanto antes, melhor, né? Vamos dizer assim, então, acho que sim.
A médica Melissa Palmieri, da Vigilância Sanitária Municipal de São Paulo, orienta as pessoas para ficarem atentas.
“Porque a pandemia é dinâmica. Então, eles têm que ficar ligados no que a secretaria municipal de Saúde do seu município vai estar informando para ser feito com relação a adiantamento”, aconselha.
Até a próxima sexta-feira (26), o Ministério da Saúde faz uma campanha de megavacinação no país todo, com as unidades básicas preparadas para intensificar a vacinação para quem ainda não tomou a primeira dose, para os que estão com a segunda aplicação atrasada e para quem precisa do reforço.
A infectologista Raquel Stucchi, da Unicamp, destaca a importância de tomar a segunda dose e estar completamente vacinado.
“Um número grande de pessoas só com a primeira dose não vai trazer o controle da pandemia. Todo mundo se vacinando, a gente colabora para que a cidade, o estado e o país fiquem protegidos, diminua a circulação do vírus e a gente possa controlar a pandemia e voltar, tentar voltar a uma vida próxima do que a gente tinha antes”, enfatiza.

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