Naufrágio no Oceano Atlântico: após 15 dias sem buscas, 3 corpos não foram identificados e 17 seguem desaparecidos

Viagem partiu de Oiapoque, no Amapá, com destino à Guiana Francesa. Quatro sobreviventes foram encontrados em alto mar. Brasileiros desaparecidos após naufrágio no Oceano Atlântico, na costa da Guiana Francesa, no dia 28 de agosto
Arquivo Pessoal
O naufrágio de uma canoa com 24 brasileiros que partiu de forma clandestina da costa norte do Amapá com destino a Guiana Francesa completa 18 dias nesta quarta-feira (15), sendo os 15 últimos sem buscas oficiais. A falta de respostas aumenta o drama das famílias daqueles que resolveram encarar o Oceano Atlântico atrás de uma vida melhor, mesmo que de forma ilegal.
Desde quando a embarcação afundou na noite de 28 de agosto, somente 4 sobreviventes (3 homens e 1 mulher) foram encontrados com vida em alto mar, todos do lado francês.
Outros 3 tripulantes foram encontrados mortos, sendo os dois últimos em 8 de setembro, mas nenhum deles ainda teve o nome descoberto. O avançado estado de decomposição impede a rápida identificação, explicou a Polícia Federal (PF).
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A corporação coletou material genético de familiares após uma convocação feita na última semana onde 14 familiares procuraram a PF e repassaram informações sobre os viajantes que são de vários estados do Norte e Nordeste.
Parentes de desaparecidos coletando material genético na Polícia Federal
Karina Rodrigues/Wesley Abreu/Rede Amazônica
Sobre a identificação das vítimas, a PF explicou que a polícia francesa realizou na terça-feira (14) a autópsia do último corpo encontrado. Daí, o material será enviado para o Brasil com objetivo de comparação a ser feito Instituto de Identificação Criminal (INI) da PF, situado em Brasília.
Em relação aos 4 sobreviventes, 3 seguem em Caiena, na Guiana Francesa e 1 está em Oiapoque, do lado brasileiro, cidade de onde partiu a canoa. Os nomes deles não foram informados.
Parentes de desaparecidos do naufrágio em Oiapoque
Divulgação
A angústia fica maior a cada dia para os familiares que seguem sem respostas. As buscas pelo governo francês foram feitas em apenas dois dias e depois suspensas.
Em Oiapoque, parentes foram atrás de apoio. A prefeitura ofereceu psicológos e assistentes sociais para orientar os familiares. Mesmo assim, eles pedem apoio político para solicitar ao governo francês que retome a procura em alto mar.
Amanda Oliveira, parente de 4 desaparecidos no naufrágio
Reprodução
“Pedimos ajuda para que alguém possa fazer algo pela gente. Queremos apoio político, estamos desesperados e não sabemos a quem recorrer”, declarou Amanda Oliveira, parente de 4 desaparecidos.
“Estamos pedindo ajuda do governo do estado, só queremos informações concretas porque até agora são informações desencontradas. São seres humanos lá, são vidas”, declarou Janeide silva Correia, irmã de uma desaparecida.
Janeide silva Correia, irmã de uma desaparecida no naufrágio
Reprodução
A deputada estadual Cristina Almeida, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Legislativa do Amapá (Alap), reuniu com o prefeito da cidade e a Defesa Civil. Ela apontou as ações para identificação das vítimas.
“Houve uma força-tarefa das autoridades brasileiras para coletar esse material genético, DNA, para poder identificar esses corpos”, completou.
Naufrágio e resgate
Em comunicado, a prefeitura da região da Guiana Francesa detalhou que a operação de resgate no mar foi iniciada depois que uma embarcação encontrou uma mulher agarrada em uma boia.
Ela estava no canal de acesso ao porto de Kourou, do lado francês, e contou, segundo a nota, que estava à deriva depois que a canoa em que ela estava naufragou na noite de 28 de agosto.
Moradores de Oiapoque em alto mar em busca de vítimas de naufrágio
Reprodução
Foram destinadas à região um helicóptero e embarcações especializadas “para procurar possíveis náufragos em uma ampla faixa costeira de Caiena a Sinnamary”, cidades que ficam distantes 100 quilômetros uma da outra.
As buscas foram feitas por dois dias, na terça (31) e na quarta-feira (1º). Com a decisão do governo francês de suspender as buscas, um grupo de voluntários resolveu procurar desaparecidos por conta própria em alto mar. O Ministério Público de Caiena abriu um inquérito policial judicial, confiado à Brigada Marítima de Caiena.
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