Período chuvoso aumenta presença de caramujos africanos em algumas regiões do país

Eles são hospedeiros de um verme causador de problemas no trato digestório e infecções graves. Especialistas recomendam recolhimento e descarte com cuidado. O ideal é colocá-los em recipiente com água fervente e cloro. Caramujos africanos são risco para a população e exigem cuidados
Reprodução/Jornal Nacional
O período chuvoso em algumas regiões do Brasil aumentou a presença de um invasor.
Eles até parecem inofensivos, mas são perigosos. Esses caracóis ficaram popularmente conhecidos como caramujos africanos. Foram trazidos da África para o Brasil no início da década de 1980 para serem servidos como escargot, mas não tiveram boa aceitação e foram descartados na natureza.
Se deram bem com o clima brasileiro e se reproduziram rapidamente. A fêmea pode gerar até 400 ovos por vez. Sem predadores naturais e com fartura de alimentos, se espalharam pelo país.
“A gente sabe que a infestação está muito grande no país todo e, quando começa a chuva, é que eles começam a incomodar, porque eles começam a se reproduzir, começam a aparecer mais e aí eles incomodam. Vários estados estão com essa infestação grande desse caramujo”, explica a pesquisadora Silvana Thiengo, da Fiocruz.
Em Aracaju, há registros dos caramujos em toda a cidade. Em Teresina, uma moradora já espalhou neste mês mais de 20 quilos de sal grosso em volta de casa. É uma forma de evitar que os bichos se aproximem. Os especialistas não recomendam o uso do sal para não prejudicar o solo.
Durante o período chuvoso em São Luís, eles saem das tocas, e muitas casas e prédios ficam com os muros cheios de caramujos. Eles são hospedeiros de um verme que pode provocar infecções graves.
Muro de São Luís com os caramujos africanos
Reprodução/Jornal Nacional
“Esse verme, em contato com a pessoa, pode provocar dois sintomas característicos. Um é no trato digestório, com cólicas, diarreias. E o mais grave que é quando ele atinge o sistema nervoso, a nível cerebral, que é a meningite eosinofílica, e isso causa uma série de transtornos, convulsões, pode levar até a morte, com certeza”, alerta o biólogo Kelton Kylson.
Desde 2006, já houve 40 casos de meningite eosinofílica no país, com pelo menos uma morte em Pernambuco, em 2010. Mas, segundo a Fiocruz, pode haver subnotificação porque é uma doença de difícil diagnóstico.
Os caramujos também oferecem risco depois de mortos, porque os cascos acumulam água parada e podem virar criadouros do Aedes aegypti, que transmite dengue, chikungunya e zika.
A recomendação dos especialistas é que se recolha os caramujos e os descarte com cuidado.
“Se deparando com o caramujo, nunca manusear de maneira desprotegida. Sempre com as mãos protegidas por uma luva. Se não tiver uma luva disponível, colocar um saco plástico”, instrui José Chagas, supervisor de endemias.
O ideal é colocá-los em um recipiente com água fervente e cloro.
A casa da corretora Inês Sampaio vive cheia desses bichinhos perigosos.
“Tem dias que a gente amanhece com os muros todos cheios. As plantações, as acerolas a gente não come mais, porque é muito caramujo. É o tempo todo matando caramujo. Quando chove é uma coisa desesperadora”, conta.
A corretora Inês mostra os caracóis na casa dela
Reprodução/Jornal Nacional

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