Serviço de consertos de eletrodomésticos cresce com alta da inflação

Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, aponta queda de 8,9 % no ano e de 11,2% em 12 meses na venda de eletrodomésticos, que ficaram 9,8 % mais caros em 2022. Serviço de conserto de eletrodomésticos cresce com força
O serviço de consertos de eletrodomésticos foi um dos que cresceram com vigor, e uma das causas disso é a inflação.
Eles estão lá à espera dos compradores, mas ultimamente os eletrodomésticos seguem nas prateleiras mesmo. Neste ano, eles ficaram 10% mais caros e, em 12 meses, o preço médio subiu 23,5%.
As vendas de equipamentos novos seguiram trajetória contrária: queda de 9% no ano e de 11% em 12 meses.
Ritmo lento no varejo, movimento acelerado nas oficinas e assistências técnicas. A fritadeira da casa da atendente Daniela da Silva Pereira parou de funcionar e ela nem pensou em comprar outra; manteve um costume que está mais comum nos últimos tempos.
“Na minha família, todo mundo acaba trazendo na assistência para arrumar algum eletrodoméstico, fazer alguma coisa assim. É bem melhor, sai muito mais em conta”.
Gleiton Lopes trabalha há 15 anos com o conserto de tudo quanto é tipo de eletrodomésticos e nunca viu tanto serviço como agora. “De um tempo para cá, a gente está tendo uma demanda muito alta de eletrodoméstico. Tanto é que eu tive que abrir outra loja em questão disso, porque o mercado está bem aquecido”, comemora.
Em outra assistência técnica, as prateleiras estão lotadas. E para dar conta de atender a demanda, que aumentou 30% nos últimos meses, a loja teve que ampliar o quadro de funcionários; contratou cinco pessoas.
“Agora, no momento, a gente está em alta mesmo. Está muito bom. A gente só tem que agradecer”, diz Marlúcia Crivel, gerente da assistência técnica.
O técnico da loja, que também atende diretamente na casa dos clientes, passou de seis para até 20 visitas por dia. E ao analisar a situação dos equipamentos, ele orienta quando vale para o consumidor consertar ao invés de comprar.
“Hoje a média do conserto fica em 40% do valor total do equipamento. Então, os clientes preferem consertar do que comprar um novo”, destaca o técnico Warley Barbosa Pereira.
Essa análise, a cabelereira Tânia Regina Gomes Morais sabe bem como fazer : “Eu sou adepta a primeiro falar: vamos olhar? Vamos consertar? Vamos ver quanto é? Se está um preço bom ou não? Beleza. Se ficar, ótimo. Se não, compra outro”, diz.
A situação financeira das famílias e a alta dos juros também pesam nessa decisão.
“Isso pode acarretar um aumento das parcelas ou um tempo maior de pagamento. Em um momento em que as famílias têm uma maior incerteza em relação às suas rendas futuras, como por exemplo a permanência no emprego, elas tendem a retrair o seu consumo. Então, nesse momento, muitas famílias tendem a optar pela opção de mais baixo valor”, explica o professor de economia Rafael Ribeiro.
O empresário Matheus Oliveira Vespúcio levou o purificador de água na assistência e teve uma boa surpresa. “No início eu falei: vou ver quanto custa para consertar porque, se for, sei lá, mais de metade do valor dele, a gente vai comprar um novo. Só que é um valor que era de uma peça que precisava trocar. Então, vale mais a pena”.

Liked Liked