Soldado visto em motim após apresentar atestado para faltar ao serviço é expulso da PM no Ceará

Adriano Cavalcante Gomes é o quarto agente expulso da Polícia Militar após participação de movimento ilegal. Motim de policiais militares no Ceará em fevereiro deste ano
José Leomar
Mais um policial militar foi punido pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) por participação no motim, realizado por parte da corporação entre fevereiro e março de 2020. Com a decisão, Adriano Cavalcante Gomes é o quarto agente expulso da Polícia Militar após participação no movimento ilegal de parte dos policiais.
A demissão do agente, publicada nesta quarta-feira (13) no Diário Oficial do Estado (DOE), afirma que o acusado descumpriu diretamente as determinações do Comando Geral da PM, pois não se apresentou ao serviço, entregou atestado médico, mas foi visto com um grupo de agentes que fazia um ato em frente à Assembleia Legislativa, no Bairro Dionísio Torres, em Fortaleza.
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Imagens de Adriano participando do ato no dia em que apresentou o atestado médico foram apresentadas no processo administrativo. O agora ex-PM chegou a alegar em sua defesa que não fez parte do motim e no dia 18 de fevereiro de 2020 estava a caminho da faculdade e parou em frente à Assembleia para aguardar um ônibus. Momento em que foi visto no local.
“Imagens contidas em vídeo corroboram a participação do acusado no movimento reivindicatório. […] De maneira incontroversa, o acusado descumpriu diretamente as determinações do Comando Geral da PMCE […]”, diz um trecho da decisão da CGD.
O argumento não foi aceito pela Controladoria, que considerou que o comportamento de Adriano contrariou as disposições da corporação. O g1 não localizou a defesa do servidor.
“Com seu desdém para com a sua missão constitucional, feriu veementemente atributos fundamentais, determinantes da moral militar estadual, como a hierarquia, a disciplina, o profissionalismo, a lealdade, a honra, a honestidade, dentre outros”, disse a CGD.
Demissão de bombeiro militar mantida
A publicação do DOE também trouxe a manutenção da expulsão do bombeiro militar Magno Maciel da Silva.
Em julho, Magno foi expulso pela Controladoria, mas entrou com um recurso, analisado pelo Conselho de Disciplina e Correição (Codisp), que manteve a demissão do servidor. Na ocasião, ele foi o segundo envolvido nos motins a receber tal punição.
Ao todo, quatro agentes já foram demitidos por participação no movimento. Em junho deste ano, o soldado da PM Raylan Kadio Augusto de Oliveira foi o primeiro a ser expulso pela CGD por causa do motim policial.
Além dele, o ex-policial militar Márcio Wescley Oliveira dos Santos também foi demitido. Ele já estava afastado dos serviços, uma vez que teve a candidatura para o cargo de vereador deferida em 2020. Militares da ativa não podem por lei se candidatar a cargos políticos eletivos.
Veja vídeo sobre o motim no Ceará:
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