‘Todas as pessoas vão estar passíveis de contaminação’, diz David Uip sobre varíola dos macacos, que já atinge grávidas e crianças em SP

Secretário está preocupado com a estigmatização da doença. Estado de São Paulo tem 1.298 infectados. Destes, 97% são homens, e mediana de idade é de 33 anos. Atual prevalência deste grupo é transitória, disse secretário. Secretário de de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde, David Uip, em coletiva sobre a varíola dos macacos nesta quinta, 4 de agosto
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O secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde, David Uip, disse nesta quinta-feira (4) que se preocupa com a estigmatização da varíola dos macacos em um determinado grupo e que a comunicação sobre a doença deve ser “absolutamente sem preconceitos”.
Dos 1.298 infectados do estado de São Paulo, 97% são homens, e a mediana de idade é de 33 anos. No final de julho, o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselhou que homens que fazem sexo com homens – como gays, bissexuais e trabalhadores do sexo – reduzam, neste momento, o número de parceiros sexuais para diminuir o risco de exposição à varíola dos macacos.
David Uip contou que tratou do primeiro caso de HIV no país, em 1982. “Nós fizemos tudo errado na parte de comunicação, nós, profissionais de saúde. Naquele momento virou uma coisa muito chata, virou uma doença preconceituosa, estigmatizante, e nós pagamos o preço por esse erro até hoje”, afirmou o infectologista.
Uip afirmou ainda que a prevalência deste grupo específica é transitória. “Daqui a pouco, todas as pessoas vão estar passíveis de contaminação, então este cuidado nos faz dividir a comunicação para o público geral e a comunicação para grupos mais prevalentes. Por exemplo, nós já temos casos em crianças, em mulheres grávidas, e em mulheres e homens que moram nas ruas”.
Dos infectados do estado, 98% são casos leves. Os 2% que precisaram de internação são de pessoas que tiveram mais de 100 lesões no corpo.
Medidas de combate à doença
Uip, ao lado do do secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, da Saúde, anunciou nesta quinta-feira (4) as medidas de combate à varíola dos macacos no estado de São Paulo.
O plano de enfrentamento da doença terá 93 hospitais de retaguarda, uma rede credenciada de laboratórios para testagem e vigilância genômica e serviço de orientação 24 horas para profissionais de saúde. Além disso, foram definidos protocolos de diagnóstico e assistência (veja detalhes abaixo).
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Os secretários também anunciaram a criação de um ‘Centro de Controle e Integração’, que irá assessorar as ações do governo no combate à varíola dos macacos, projetar os cenários epidemiológicos, propor medidas e identificar oportunidades para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos.
Além de Gorinchteyn e Uip, fazem parte do Centro, por exemplo, Dimas Covas, Esper Kallas, João Gabbardo e Regiane de Paula. O grupo é formado por 24 profissionais de diversas áreas, entre cientistas, epidemiologistas, virologistas, infectologistas e professores universitários.
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O secretário de saúde ressaltou que a varíola dos macacos não se trata de uma emergência de saúde pública, como foi a Covid, doença com maior transmissibilidade, riscos de agravamento e impacto na rede hospitalar.
“Estamos fazendo uma atitude muito mais antecipada, em cadência para que todos tenhamos protocolos assistenciais e isso ajude as unidades de saúde a identificar a doença e definir quem são aqueles que têm risco potencial de desenvolver a forma grave de doença, que são exatamente pessoas que têm algum problema na sua imunidade”, disse Gorinchteyn.
Segundo os secretários, os casos estão concentrados na região metropolitana, mas já estão se espalhando para o interior, principalmente nas cidades do eixo Bandeirantes/Anhanguera.
Veja os principais pontos do protocolo assistencial de SP:
Paciente com sintomas chega a UBS, consultório ou hospital;
Caso é definido como suspeito, provável ou confirmado;
Paciente suspeito faz PCR;
Mesmo sem a confirmação, paciente suspeito e contactantes já são orientados para realizar isolamento;
Em caso confirmado, notificação ao estado é compulsória e deve ser feita em até 24 horas da confirmação;
Em casos leves, o isolamento é domiciliar, e, em graves, hospitalar;
O caso confirmado e os contactantes serão monitorados uma vez por dia, por telefone, por 21 dias.
Protocolo para grávidas e lactantes
A grávida que for diagnosticada com varíola dos macacos será acompanhada e indicada para o parto em uma unidade de saúde de alto risco. A indicação para o parto passa a ser de cesárea, mas, caso não hajam lesões na região perianal, poderá ser avaliada a possibilidade de parto normal.
Já as mulheres que amamentam e forem infectadas receberão a orientação de ficar 14 dias sem amamentar. O secretário de Saúde reforçou que estas são as orientações para este momento, mas que podem mudar de acordo com as atualizações sobre a evolução da doença em gestantes e lactantes. Segundo Gorinchteyn, ainda não se sabe, por exemplo, se a doença pode ser transmitida através do leite materno.
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