Cenário de Desalma, RS se consolida como destino do terror no Brasil

Porto Alegre, Viamão e cidades da Serra são usadas como locações em séries e filmes em que o horror é a temática principal. Veja alguns locais que compõem este roteiro. Cássia Kis interpreta a feiticeira Haia na série ‘Desalma’
Divulgação/Globoplay
O Rio Grande do Sul já foi cenário para gravações de produções de terror e suspense, como a série ‘Desalma’, que estreou no Globoplay no dia 28 de abril. Outras produções, como o filme ‘Morto Não Fala’ e a série ‘Necrópolis’, também tiveram cenas filmadas em cidades gaúchas.
Porto Alegre também é sede de um dos principais festivais do cinema fantástico, o Fantaspoa, e o Museu de Figuras do Terror, que fica no interior de Canela, na Serra, ajudam a consolidar o estado como destino para os fãs da temática terror.
“O Rio Grande do Sul, por ter as estações mais definidas, um inverno mais rigoroso, gera esta possibilidade de chegar ao outro mundo. Não bate muito, por exemplo, como o Pará, que é um mundo mais quente o tempo todo. Não fica nesta coisa mais encasacada, sombria, de botar uma capa e nos cobrir. Que é o que nos permite fazer aqui nessa característica de inverno de nos esconder mesmo, de ter noites mais longas”, diz Glauco Urbim, diretor de produção de “Morto Não Fala” (2018), que também trabalhou em “Desalma”.
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‘Desalma’ – Antônio Prado e São Francisco de Paula
Segunda temporada de ‘Desalma’ estreia no Globoplay nesta quinta
As duas temporadas da série nacional Desalma foram ambientadas nas cidades de Antônio Prado e São Francisco de Paula, na serra gaúcha. As gravações da segunda aconteceram entre junho e agosto do ano passado, o que movimentou o setor de turismo e hotelaria das duas cidades na época.
A produção criada por Ana Paula Maia se passa em uma cidade fictícia de imigração ucraniana no interior da Região Sul do país. A série aborda a ocorrência de fenômenos sobrenaturais que assombram os moradores do local.
“As casas ucranianas tinham essa característica de ser madeira bruta, e onde a gente mais acho isso são nos cenários únicos que têm aqui, só no RS, como a cidade de Antônio Prado, onde também foi rodado ‘O Quatrilho’. É uma cidade de imigração italiana, mas quando os ucranianos chegaram era a mesma coisa. Tinham as mesmas condições. Pega este mato e te vira. Então, pegavam a madeira bruta e construíam suas casas”, destaca.
Uma das novidades da segunda temporada é a chegada do Traian, personagem interpretado pelo ator Fábio Assunção. Em entrevista à RBS TV, Fábio que contou ter achado as cidades calmas e relembrou o período da infância.
“Eu acho muito charmoso o clima do sul e vi muita segurança nas ruas. Vi um grupo de crianças tocando a campainha do vizinho e correndo, isso me lembrou minha infância”, diz.
‘Morto Não Fala’ – Porto Alegre e Viamão
Cena de “Morto Não Fala”, de Dennison Ramalho, um dos filmes produzidos no Rio Grande do Sul que competem no festival
Divulgação/Festival Internacional de Cinema da Fronteira
“Morto Não Fala” (2018) é uma co-produção da Casa de Cinema de Porto Alegre e da Globo Filmes sobre um plantonista noturno de um necrotério de uma grande cidade. Embora não seja indicada de forma explícita, a capital gaúcha e Viamão, na Região Metropolitana, servem de cenários para o ambiente violento.
O diretor de produção Glauco Urbim revela que buscava locações mais neutras, representando uma metrópole, ao mesmo tempo em que tinha uma antigo seminário como trunfo para representar um local abandonado. Nele, usou a mata no entorno para ambientar as cenas de crime e as salas internas para projetar o necrotério.
“Toda parte de cozinha, as áreas abandonadas, as texturas da parede os próprios funcionários falavam que dava para fazer um filme de terror. Esse negócio de muita história, de pessoas andando durante a noite, barulhos que se ouviam, agregava muito”, afirma.
Museu do Terror – Canela
Estátuas expostas no Museu de Figuras do Terror
Museu de Figuras do Terror/Divulgação
O Museu de Figuras do Terror fica em uma propriedade no interior da cidade de Canela, na Serra do RS. Entre as atrações estão 33 réplicas de personagens de filmes de terror e a Casa Hobbit, uma estrutura inspirada na trilogia “O Hobbit”.
As estátuas começaram a ser produzidas em 2009, quando os escultores Luiz Carlos da Rosa e Cleber da Rosa as esculpiam e instalavam no sítio da família. Só em 2021, porém, é que o lugar ficou conhecido pelo público através das redes sociais.
Uma das proprietárias do Museu, Márcia Dias Bernardes, conta que o objetivo inicial não era que o local virasse uma atração turística.
“Nos avisaram que uma pessoa do Rio de Janeiro gravou um vídeo daqui, mostrando as esculturas e divulgou nas redes sociais. Isso fez com que a gente começasse a receber visitantes e fomos investindo no espaço”, explica.
Márcia diz que o plano é expandir o local com novas atrações. O local não cobra ingresso, mas o público pode contribuir de forma espontânea. O horário de funcionamento é das 10h às 18h, diariamente.
Fantaspoa
“Mata Negra”, de Rodrigo Aragão, é o filme de abertura do Fantaspoa
Reprodução
O principal festival de produções do gênero fantástico (fantasia, ficção-científica, horror e thrillers) na América Latina acontece anualmente em Porto Alegre. Neste ano, foi realizado entre abril e maio, na Capital.
Em homenagem ao centenário da obras, teve a exibição do clássico “Nosferatu: Uma Sinfonia de Horror” (1922), de F. W. Murnau, com trilha sonora inédita composta para o clássico expressionista.
“Percebemos um salto no número de inscrição de filmes, indicando crescente interesse da indústria em exibir suas obras no festival e resultando na programação mais rica e diversa da história do evento”, comentaram os diretores do festival, João Fleck e Nicolas Tonsho.
O evento reuniu filmes de 26 diferentes países, que foram exibidos em festivais internacionais como Annecy, Berlinale, Cannes, Festival de Rotterdam, Festival de Toronto , Festival de Moscou, Sitges, Sundance e Tallin Black Nights.
‘Necrópolis’ – Porto Alegre
‘Necrópolis’ foi gravada em locações internas e externas em Porto Alegre
Verte Filmes/Divulgação
Em um set montado no Tecnopuc, parque tecnológico instalado na Capital, ‘Necrópolis’ levou a comédia para dentro de um necrotério. Dividida em oito episódios, a produção conta a história de um médico legista recém-formado que tem medo de cadáveres.
Um dos roteiristas da série, Tomás Fleck, explicou que todas as gravações foram feitas em diferentes pontos de Porto Alegre.
“A equipe toda era da cidade, então decidimos fazer as filmagens aqui”, conta.
* Colaborou a assistente Juliana Borgmann sob supervisão do jornalista Matheus Beck
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