Cidade das Águas: um bairro construído coletivamente

Conheça a metodologia charrete, utilizada no Cidade das Águas, novo empreendimento da CRF O termo Charrete Design surgiu no século XIX, na Escola de Belas Artes de Paris. A metodologia consiste em uma oficina de trabalho, que dura vários dias, onde pessoas com diversas especialidades desenvolvem o planejamento de um projeto complexo.
Esta forma de trabalho colaborativo e intenso é utilizada em diversos setores da sociedade — universidades, empresas, governos e organizações da sociedade civil — e, principalmente, no campo da arquitetura e urbanismo.
E esta foi a metodologia utilizada para a criação do Cidade das Águas, novo empreendimento da CRF Indústria e Empreendimento, em parceria com o grupo Pedra Branca. A construção do projeto do bairro-cidade contou com a atuação de mais de 60 profissionais de arquitetura, engenharia e paisagismo, em um processo de criação coletiva que uniu mentes para além das fronteiras.
São várias as referências internacionais que ajudaram a conceber o masterplan. Entre eles está Jan Gehl, um dos consultores contratados para preservar a essência do urbanismo no projeto. Outra contribuição é a da Keystone, capitaneada por Max Rumis e Marcela Leiva. O casal tem conduzido as charretes juntamente com os arquitetos catarinenses.
E a lista de nomes de destaque não termina aí. Também presente na elaboração do projeto está a Gehl Architects, empresa localizada em Copenhagen, na Dinamarca, com foco em masterplans e projetos relacionados à requalificação de espaços públicos na América Latina e na Alemanha.
O arquiteto brasileiro Mauricio Duarte Pereira foi o escolhido pela empresa para liderar a consultoria estratégica para o projeto Cidade das Águas, juntamente com um diretor criativo e uma paisagista da equipe.
O isolamento social necessário pela pandemia de coronavírus exigiu ainda mais criatividade e adaptação dos profissionais, que tiveram de desenvolver as atividades de maneira remota, com o auxílio de tecnologias.
A arquiteta Cristina Martins coordena equipe de mais seis profissionais da empresa gaúcha Ideia1 Arquitetura, que trabalham no projeto Cidade das Águas. Além de se sentir honrada por ter recebido a função com tanta responsabilidade, Cristina comenta que participar deste projeto foi um momento marcante em sua vida profissional. “O processo faz todo o esforço ser recompensado. É daqueles momentos da vida do arquiteto que pensamos: é para isso que estou aqui!”
O time do Cidade das Águas também conta com a arquiteta e urbanista Juliana Castro, da JA8 Arquitetura e Paisagem, empresa localizada em Florianópolis.
Juliana explica que toda a qualidade de ambiente urbano do bairro-cidade está sendo pensado para que exista a conexão do bairro com todos os outros equipamentos da cidade.
“O bairro que a gente está fazendo em conjunto mantém os conceitos do novo urbanismo – ter a cidade mais compacta, com compartilhamento de espaço onde mora, trabalha e estuda num mesmo lugar. Mas estamos indo além, pensando na atratividade do espaço público como mote principal do projeto”, complementa.
O escritório Metroquadrado Arquitetura, de Joinville, também participa da charrette de cocriação. Miguel Cañas Martins, arquiteto e sócio da empresa, disse que o Cidade das Águas torna-se um novo ecossistema, onde Joinville reforça sua cultura, sua geografia, da serra ao mar, sua localização estratégica e sua mobilidade urbana.
“A cidade pode ser um exemplo em adaptabilidade e resiliência aos novos tempos. Este novo bairro une, além de novas concepções, boas estratégias e bons personagens com um objetivo comum: a possibilidade de ressignificar nossa cidade”, ressalta o arquiteto.
A adaptabilidade aos novos tempos é mais um dos fatores de destaque no Cidade das Águas. Como exemplo, podemos citar como, após a pandemia de Covid-19, a vida ao ar livre se tornou ainda mais importante e valorizada.
O engenheiro civil Dilnei Silva Bittencourt, conselheiro e consultor dos bairros planejados Pedra Branca e Cidade das Águas, destaca a preocupação presente no projeto joinvilense na realização de simulação das volumetrias dos prédios. A intenção é verificar a circulação do ar e o caminho do sol para construir espaços agradáveis. Outro ponto destacado pelo engenheiro é o uso de floreiras nas sacadas dos prédios, que vai ao encontro de uma das marcas da cidade.
Comunidade Envolvida
O processo criativo do Cidade das Águas incluiu a maior interessada no processo: a população. Afinal, além de feito por pessoas, é para pessoas que o empreendimento foi pensado.
No final de 2020, algumas oficinas ocorrem – de forma virtual – para sondar as expectativas de moradores e comerciantes da região, lideranças empresariais e de entidades, além de profissionais de arquitetura e urbanismo, paisagismo e engenharia.
Morador do bairro Anita Garibaldi, em Joinville, Gabriel Cabral esteve presente em uma das oficinas. Na avaliação de Gabriel, o projeto do bairro Cidade das Águas é audacioso e relevante. “Uma cidade do porte de Joinville merece um projeto dessa magnitude. As pessoas que estão envolvidas são muito talentosas e competentes. Vão poder fazer isso acontecer, com maestria”, afirma.
A Join.Valle, empresa que desenvolve e estimula iniciativas para potencializar o empreendedorismo na cidade, foi um dos parceiros presentes na condução das oficinas. E foi justamente o carater empreendedor e inovador do projeto que chamou a atenção de Fabiano Agnolo, executivo do Join.Valle
“Acreditamos que esse bairro vai colocar Joinville, e a nossa região, em um patamar diferenciado, contribuindo para que se torne cada vez mais um dos melhores lugares para morar e empreender da América Latina. Estamos abertos para contribuir, pois entendemos que os benefícios que um projeto como este vai trazer para a cidade são inúmeros”, comenta.
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