Existe momento certo para realizar a castração do seu pet? Veterinário responde

Nas fêmeas, sejam cadelas ou gatas, a castração diminui o risco de desenvolver câncer de mama. Nos machos, o procedimento evita o desenvolvimento do câncer de próstata, deixando o animal menos agressivo. Recomendação para o animal doméstico, que não é criado para reprodução, é a castração
Prefeitura de Votuporanga/Divulgação
Uma dúvida comum de todo “pai/mãe de pet” é descobrir o momento de realizar a castração em seu animal doméstico. Embora muitas pessoas associem o procedimento cirúrgico somente ao impedimento da reprodução sem controle, o que não está errado, é preciso saber que a castração pode proporcionar também benefícios à saúde do animal, independentemente do gênero e da espécie.
Antes de tudo, é preciso estar ciente de que o período do cio, estado de receptividade sexual extrema pelo qual passam as fêmeas de muitos mamíferos e pode variar de sete a 15 dias, gera um grande estresse para o animal doméstico não castrado.
O instinto desses animais, em especial cães e gatos, faz com que, neste período, eles sintam uma vontade incontrolável de cruzar. Neste estado, o animal pode fugir, se envolver em brigas e voltar para casa machucado ou, até mesmo, não voltar.
Diante disso, a recomendação para o animal doméstico, que não é criado para reprodução, é a castração, pois evita ninhadas indesejadas, fugas, brigas e problemas de saúde, como doenças sexualmente transmissíveis (a exemplo do Tumor Venéreo Transmissível), que infelizmente é comum em animais abandonados.
Nas fêmeas, sejam cadelas ou gatas, a castração diminui o risco de desenvolver câncer de mama. É comprovado que as cadelas castradas, antes do primeiro cio, têm 100% de chance de não desenvolver o câncer, pois ela não vai produzir o hormônio que causa o câncer.
Já entre os machos, a castração evita o desenvolvimento do câncer de próstata, deixando o animal menos agressivo, uma vez que ele perde a necessidade de cruzar e de marcar território. O médico veterinário Bruno Picoloto acrescenta que o procedimento pode levar a mudanças comportamentais no animal.
“Em geral, após a castração, os animais ficam mais tranquilos, com a redução do nível hormonal. Portanto, a tendência é ter animais mais tranquilos. Seu pet vai continuar sendo o mesmo, não vai deixar de brincar ou de proteger a casa. Apenas não vai sentir necessidade de cruzar, evitando a agitação característica do período do cio”, pontua.
Como funciona o procedimento
No pós-cirúrgico, o animal deve tomar antibiótico e cuidar dos pontos, que devem ser retirados em sete dias
Prefeitura de Divinópolis/Divulgação
Para a castração, o médico veterinário fará uso de uma anestesia geral. No macho, é mais simples, pois há somente a retirada dos testículos, onde é produzida a testosterona. No caso da fêmea, são retirados os ovários – ou todo o aparelho reprodutivo –, assim ela não terá mais cio, como explica o veterinário, que ainda acrescenta qual é o período de recuperação do animal.
“O procedimento de castração nas fêmeas consiste na retirada de útero e ovários através de um corte pequeno na região próxima à cicatriz umbilical. Nos machos, consiste na retirada dos testículos. A técnica em si é um pouco invasiva e a recuperação completa se conclui em dez a 15 dias no pós-cirúrgico”, explica Bruno.
No pós-cirúrgico, o animal deve tomar antibiótico e cuidar dos pontos, que devem ser retirados em sete dias. Eles podem sentir um pouco de desconforto nos primeiros dias, mas, em uma semana, devem estar totalmente recuperados.
Quando realizar?
Aumento de peso não é necessariamente um sintoma do procedimento
Prefeitura de Urupês/Divulgação
O ideal é que o animal já tenha tomado as primeiras vacinas e ainda não tenha alcançado a puberdade. O médico veterinário pontua diferenças entre gatos e cachorros para a realização do procedimento.
“Um fator a ser considerado para fêmeas, tanto canina como felina, é a chegada do primeiro cio. Até pouco tempo atrás, era considerado o período anterior ao primeiro cio como o melhor momento. Porém, estudos e pesquisas na medicina veterinária vêm ressaltando como o primeiro cio está atrelado ao desenvolvimento completo do animal. Para os machos, o tempo ideal é a partir dos seis meses de idade para cães e dos dez meses para felinos, pois teremos a maturação e desenvolvimento completo dos órgãos reprodutores”, explica.
Muitas pessoas relatam ganho de peso do animal como fator para adiar ou até mesmo não realizar a castração. No entanto, Bruno ressalta que o aumento de peso não é necessariamente um sintoma do procedimento, e é possível evitá-lo com medidas no dia a dia do animal.
“O que geralmente acontece é a redução da atividade, o que naturalmente pode gerar o ganho de peso. Com isso, o dono do animal, junto ao veterinário, tem que procurar ajustar a dieta e também incentivar a prática de atividade física, como, por exemplo, caminhadas, uso de brinquedos e etc.”, pontua o veterinário.
Ações de castração voluntárias
Na região do centro-oeste paulista, ações que envolvem empresas do primeiro, segundo e terceiro setor vêm sendo realizadas em prol do controle populacional e da saúde e bem-estar animal.
Uma delas é organizada pela ONG Arca da Fé, que realiza um mutirão de castração e identificação animal com o objetivo de reduzir ocorrências no trânsito com pets nas áreas urbanas e em rodovias na macrorregião de Bauru (SP). A ação tem apoio da concessionária Eixo SP.
Os mutirões estão sendo realizados em 26 municípios e têm como meta atender até sete mil cães e gatos nesta fase, que seguirá até fevereiro de 2023. O castramóvel, base itinerante utilizada para a castração, tem, inclusive, pontos de parada definidos até o final deste mês. O calendário abarca cidades como Bauru, São Manuel, Barra Bonita e Avaí , no interior de SP.
Os interessados devem acompanhar o calendário e fazer o cadastro prévio no serviço social do município ou por meio de contato direto com a ONG, pelo WhatsApp (14) 998057267. A ação é destinada à população de baixa renda e tem vagas limitadas.
O animal sai do atendimento com uma placa de identificação em formato de osso, com os contatos do proprietário, e recebe ainda material informativo sobre cuidados pós-operatórios.
De acordo com um levantamento da Eixo SP, em 12 rodovias sob sua administração, que totalizam 1,2 mil km, 6.301 animais domésticos foram localizados e retirados de rodovias e acostamentos no ano de 2021. Destes, 223 estavam feridos e foram encaminhados a ONG parceiras para atendimento veterinário.
“O trabalho na preservação de vidas nas rodovias, o que inclui animais domésticos que eventualmente surgem na faixa de domínio, consiste ainda no monitoramento por câmeras e da inspeção de tráfego. O objetivo, neste caso, é apoiar a causa animal, principalmente despertar a consciência sobre a tutela responsável e a guarda dos animais de estimação nas residências ou domínios da propriedade rural de seus donos”, explica Gabriel Bispo, coordenador de Meio Ambiente da Eixo SP.
Serviço
Castramóvel – ONG Arca da Fé e Eixo SP
Bauru – 15 de maio
Emef Dirce Boemer Guedes de Azevedo – Rua Irmãos do Sagrado Coração, 3 – 30 – Núcleo Habitacional José Regino
São Manuel – 14 de maio
Unidade de Vigilância Ambiental – Avenida Comendador Luiz Fitipaldi, 1.001
Barra Bonita – 21 de maio
Estádio “Renatinho” – Rua José Paulino, 64 – 124
Avaí – 28 de maio
Praça Major Gasparino de Quadros
Na maior cidade do centro-oeste
Programa de castração em Bauru está há mais de dois anos desativado e será retomado
Prefeitura de Bauru/Divulgação
Após dois anos de inatividade, a Prefeitura de Bauru fechou uma parceria com cinco entidades para a retomada do programa de castração animal na cidade.
O resultado faz parte de um chamamento público feito para clínicas, hospitais e ONGs veterinárias interessadas em prestar serviço de esterilização cirúrgica e aplicação de microchip em cães e gatos. Os contratos terão duração de um ano, com previsão de abertura de novo edital.
A pessoa interessada em inscrever o pet no programa deve entrar em contato com o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) da sua região. Serão priorizados os animais de famílias em estado de vulnerabilidade social.
Neste momento, a prefeitura realiza o contato com tutores de animais previamente cadastrados para confirmar o interesse no procedimento e estado de saúde dos cães e gatos. São cerca de 300 animais listados.
O valor do chamamento foi de R$ 150 mil, destinados para o programa, e o montante será distribuído entre as cinco clínicas veterinárias, conforme a realização dos procedimentos. O serviço de castração será completo, incluindo os exames prévios.
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