Número de casos de dengue de janeiro a abril supera o do ano passado inteiro

Centro-Oeste tem o pior cenário, com 272% de crescimento de casos. O Brasil teve dias de muita chuva e de muito calor nos últimos meses, o clima perfeito para o Aedes aegypti procriar. Número de casos de dengue de janeiro a abril supera o do ano passado inteiro
Um assunto que vem preocupando é o aumento dos casos de dengue no Brasil. De janeiro a abril, o número já superou o do ano passado inteiro.
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O Brasil teve dias de muita chuva e de muito calor nos últimos meses. É o clima perfeito para o Aedes aegypti procriar. Na água parada esquecida em qualquer canto, os criadouros se multiplicaram pelo país, e veio a explosão da doença.
Do início de janeiro até 30 de abril, foram mais de 654 mil casos prováveis de dengue. É muito mais que o registrado em todo o ano passado.
O espalhamento da doença também preocupa os especialistas. A situação é pior hoje no Centro-Oeste, que normalmente sofre mais com a doença e teve crescimento de 272% na comparação com o mesmo período de 2021.
Depois vem a região Sul, onde a incidência sempre foi menor, mas agora registra aumento de 263% nos casos.
O infectologista Celso Granato diz que isso pode ter influência das mudanças climáticas.
“A dengue era uma doença muito concentrada no Nordeste e Centro-Oeste, lugares com temperatura mais estável. Ao longo dos últimos 20 anos, foi atingindo cada vez mais as regiões Sudeste e Sul. Isso tem a ver com aquecimento e regime de chuvas”, explica Granato.
O pesquisador da Fiocruz Ademir Martins diz que o aumento não surpreende. Ele acredita que ocorreu uma subnotificação dos casos nos últimos anos, porque a atenção era toda com o coronavírus.
“Tem essa questão das pessoas não terem ido procurar assistência e também da assistência estar muito sobrecarregada, com olhos muito voltados para questão da Covid”, diz.
O virologista José Eduardo Levi afirma que houve um descuido das autoridades.
“Quando você tem recurso de saúde limitado, que é o caso do Brasil e de muitos outros países, muito foi direcionado para o combate à Covid e você não conseguiu fazer o combate ao mosquito de forma sistemática como deveria ser feito ao longo do ano todo”, afirma Levi.
As condições de vida da população também são apontadas pelos especialistas como mais uma causa do avanço da dengue. O mosquito encontra cada vez mais espaço em cidades com moradias precárias e serviços púbicos de má qualidade.
“A gente tem deixado muito a desejar com relação à questão de coleta de lixo, de infraestrutura sanitária para que as pessoas não precisem acumular agua”, afirma Ademir Martins.
“O Brasil chegou a erradicar o Aedes aegypti, mas com a situação das nossas cidades, urbanização, grande acúmulo de lixo, água parada etc, é meio insana essa batalha contra o mosquito”, diz Levi.
Agora, é tirar do caminho qualquer coisa que vire criadouro.
“Se cada um cuidar do seu quintal, como esses mosquitos não voam longe também, você pelo menos na tua vizinhança você evita os casos”, ressalta Levi.
Este ano, 214 pessoas morreram de dengue. É importante ficar atento aos sintomas mais graves para procurar socorro na hora certa.
“A pessoa precisa saber reconhecer a forma grave da doença, que é basicamente dor na barriga, não diarreia, dor na barriga mesmo, vômito e muita náusea. Esse tipo de alerta faz com que a pessoa deva sair da sua casa e procurar um pronto socorro”, explica Celso Granato.

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